nada em partes
   



BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese
Histórico
    Outros sites
    UOL - O melhor conteúdo
    BOL - E-mail grátis
    Ágora com dazibao no meio
    Devaneios
    Eu gosto de uma coisa errada
    Blog do homem do plano
    de olho no fato
    darwiniano
    eclesiácido

    Votação
    Dê uma nota para meu blog

     


    QUAQUARAQUAQUÁ, QUEM RIU  /  QUAQUARAQUAQUÁ, FUI EU

     

    Apesar do apoio ostensivo da maior e mais sórdida parte da mídia, o candidato oposicionista à presidência, lastreado nos setores mais conservadores e mesquinhos da sociedade, perdeu a disputa por margem que não deixa dúvidas a respeito da preferência do eleitorado.

    O candidato da atual e futura oposição, comprometido com os setores exportadores e, em igual medida, inimigo do mercado interno e da ampliação da massa salarial, além de dirigir seu discurso no rumo à direita do espectro político, lançou promessas demagógicas, como a de aumento inusitado do salário mínimo que seria, tão logo implementado, seguido por imediata desvalorização da moeda nacional e, na realidade, perderia seu valor relativo e poder aquisitivo. Truques dessa oposição são conhecidos pelo eleitorado.

    A candidata apresentada pela situação, mesmo com todos os ataques urdidos mediante factóides gerados com intenção diversionista, com as falsas promessas do adversário, com a imensa pressão da mídia e com as atribulações da campanha, conseguiu demonstrar ao país seu comprometimento com a continuidade das políticas de ampliação do consumo interno, com melhoria da distribuição de renda, busca permanente da homogeneização regional, geração de empregos, redução das disparidades sociais e regionais e controle do equilíbrio cambial, este voltado para a satisfação simultânea dos mercados exportador e interno.

    No plano estritamente político, a primeira mulher eleita à presidência rompe o costume histórico de governos que não elegeram sucessores e, ao mesmo tempo, estabelece inequívoco respaldo político ao atual ocupante da cadeira presidencial. O operário de reduzida educação formal superou seus diplomados antecessores em realizações, em aprovação e em habilidade política.

    Gravada por Elis Regina, a música "Vou deitar e rolar", também conhecida pela onomatopéia que dá título a este post, termina sua estrofe inicial com versos simples, que ilustram perfeitamente os decadentes partidos oposicionistas :


                                          "Também quem mandou se levantar

                                          Quem levantou pra sair

                                          Perde o lugar."

                                          





    Escrito por nada será como antes às 23h39
    [] [envie esta mensagem] []




    AQUI NÃO TEM FUTEBOL E COPA  - DINOSSAUROS : CIÊNCIA, INTERESSE POLÍTICO OU PALHAÇADA ?

     

    Atividades científicas devem ser realizadas com estrito rigor metodológico. Hipóteses e teorias não podem ser formuladas ao sabor de interesses ou vaidades sob pena de sofrerem, posteriormente, drásticas reformulações ou mesmo "amputações" de seus paradigmas. Algumas teorias atualmente divulgadas e aceitas com fidelidade canina e passividade irracional serão, talvez em médio prazo, relegadas ao esquecimento ou poderão servir como advertência aos futuros pesquisadores.

    Multi ou transdisciplinariedade não constituem garantia ou chancela de qualidade às pesquisas científicas. Contribuições da Física, Química e da Biologia, por exemplo e quando "servidas no mesmo prato", podem resultar em inestimáveis avanços do conhecimento ou em cozidos indigestos. É preciso haver sintonia refinada para que as áreas do conhecimento, em conjunto necessariamente dialético, realmente permitam a formulação de modelos explicativos e analíticos. Qualquer deslize metodológico ou junção apressada de categorias e conceitos pode redundar em fraqueza ou mesmo ruina dos resultados pretendidos.

    Há várias décadas são incansavelmente estudados fósseis de criaturas extintas do planeta, agrupadas sob o nome genérico de "dinossauros". Até poucos anos atrás, algumas espécies desses animais eram apresentadas como dotadas de dimensões extraordinárias ; alguns exemplares teriam até quarenta toneladas de peso. Nos anos mais recentes, revistas e demais órgãos de vulgarização científica têm evitado discutir as propaladas e superadas pesagens anteriormente veiculadas e, para espanto dos que acompanham o desenrolar das pesquisas, as supostas escamas que antes "explicavam" as camadas superficiais dos corpos desses animais têm sido paulatinamente substituidas por penas, cristas e outras características próprias das aves. 

    Não é necessário ser biólogo, anatomista ou físico para saber que animais com peso muito superior ao dos atuais elefantes seriam incapazes de se locomover, reproduzir ou se alimentar fora d'água, seja pela necessidade de musculatura desproporcional dos membros ou pela respectiva estrutura óssea de dimensões exageradas, além da enorme quantidade de energia consumida e dispendida. Os animais prehistóricos de dimensões avantajadas, quase certamente, possuiam estruturas ósseas e cartilaginosas semelhantes às das atuais aves e correspondentes massas corporais leves, otimizadas e versáteis. Volumes aparentes encontrados nos fósseis, nesses casos, não podem ser entendidos como massas de densidades homogêneas. 

    Mais grave e inverossímil, ainda no tema dos dinossauros, é a "teoria" que busca explicar sua extinção supostamente abrupta como decorrente de um meteoro que teria atingido o planeta na região do atual Golfo do México, há aproximadamente 60 milhões de anos. Segundo essa teoria, a queda do meteoro teria provocado a literal destruição de vastas porções do globo, dizimado a vegetação, causado maremotos e, devido às altíssimas temperaturas resultantes dessas convulsões, ocasionado a extinção imediata e em massa daqueles animais, seja pelas consequências diretas da catástrofe, seja pela decorrente ausência de alimentos. Só teriam sobrevivido ao desastre os seres de vida subterrânea, os microscópicos, peixes e anfíbios.

    Além do simplismo revoltante dessa teoria, que traz conforto apenas para seus formuladores e divulgadores, seus dados respectivos são incapazes de resistir aos mais elementares questionamentos. Se as temperaturas terrestres experimentaram altas extremadas, por qual razão não dizimaram outras espécies, inclusive as de primitivos mamíferos ?  As mesmas temperaturas elevadas do planeta pouparam os oceanos e permitiram a continuidade reprodutiva ?  Incêndios, devastação do solo e desertificação, além dos gases resultantes e escassez de oxigênio também pouparam as outras espécies que teriam restado ? 

    Se é verdade que a Terra conta com 4,5 bilhões de anos e foram necessários 98,5 % desse tempo (até 60 milhões de anos atrás) para que a vida atingisse a forma rudimentar dos dinossauros e de mamíferos, répteis, peixes, insetos primitivos, é possível admitir que, após essa destruição massiva relativamente recente, as atuais espécies teriam condições de evoluir e adquirir sofisticação em tão curto período ?  Incursões leigas na seara evolutiva podem ser temerárias, mas os "especialistas" deveriam formular hipóteses racionalmente prováveis.

    Dinossauros são eficientes símbolos de propaganda e de exercícios de imaginação, mas suas origens e desaparecimento ainda não foram explicados. 

    _______________________

    Este blog solicita a sempre acurada e atenciosa participação do biólogo Darwinista (link à esquerda) para esclarecimentos a respeito deste texto. 

     

          

     

     



    Escrito por nada será como antes às 12h17
    [] [envie esta mensagem] []




    IRÃ, TURQUIA e BRASIL : ACORDO INÉDITO

     

    O acordo internacional Irâ-Turquia-Brasil provocou, como era esperado, comoção, discussão e muitas, muitas paixões. A carga emocional com que o tema é tratado supera, em algumas circunstâncias e em setores da mídia, a racionalidade geopolítica que deveria nortear as análises respectivas.


    Infelizmente, largos setores da sociedade brasileira ainda sentem mais conforto político com a tradicional e ultrapassada posição subalterna nacional aos desígnios imperiais e, na atualidade, relutam em aceitar a dimensão e importância que o país adquire no cenário internacional. Esses setores têm várias colorações, que transitam no espaço político entre o conservadorismo tacanho e o mero oportunismo derivado de interesses associados ao capital externo.

    O acordo entre os três países prevê a obrigação iraniana de entregar, através de passagem pelo território turco, o total de 1,2 tonelada de urânio enriquecido em baixos teores no próprio país e sua devolução, doze meses depois, com teores de vinte por cento de enriquecimento, capazes de propiciar utilização em pesquisas e medicina. Os termos acordados, a propósito, são exatamente os propostos pela Agência Internacional de Energia Atômica no segundo semestre do ano passado.

    Mesmo com a assinatura solene do acordo, as análises de políticos e autointitulados especialistas transitam entre o ceticismo covarde face ao cumprimento dos termos e os cínicos ataques e acusações de fraude política a este inédito e importantíssimo processo diplomático. Seus autores são, em maioria, comprometidos com a selvageria das ameaças guerreiras e dos inconfessáveis interesses econômicos e energéticos que campeiam naquelas longitudes orientais.

    A histeria esquizofrenia "analítica" gerou, inclusive, ato falho cometido pela outrora primeira-dama e atual responsável pelos negócios externos do decadente império norteamericano. Em declarações formais, a secretária declarou que o acordo seria "uma manobra para adiar as sanções" que são articuladas na ONU. No lugar de resposta político-diplomática, está claro que a secretária de Estado optou por uma declaração analítica que, a rigor, não caberia ser dita formalmente. Responsável pela política externa, a secretária confessou a surpresa e a virtual ausência de opções de seu departamento face à emergência do acordo. Salvo raras exceções muito particulares, detentores de poder não devem fazer análises públicas e, sim, promover respostas políticas.

    Está claro, há tempos, que o circuito de países realmente ativos na formulação política do planeta se encontra em processo de mudança de eixo e rota. O Brasil é, apesar do receio dos setores ultrapassados, um dos mais recentes e fortes participantes dessa seleção.

     

    __________________________

    A partir de hoje, com indesculpável demora, aqui consta o link do excelente blog de André Monsores, o ECLESIÁCIDO, a quem este blogueiro pede desculpas pelo adiamento do post a respeito do STF.



    Escrito por nada será como antes às 17h52
    [] [envie esta mensagem] []




    PUNIÇÃO EXEMPLAR PARA O COVARDE

     

    Manter alguém preso, com ou sem condenação penal, deveria ser a última alternativa a ser tomada e reservada apenas aos indivíduos que, de alguma forma, representem perigo real e concreto à sociedade. Muitos autores de delitos leves, às vezes impelidos a cometer infrações por causas fortuitas ou indiretas, são levados à prisão sem necessidade efetiva e, como decorrência das agruras que experimentam no cárcere, formulam traços de rebeldia, ansiedade, marcas e experiências que, certamente, promoverão outros delitos, outras ilegalidades e mudanças de personalidade. Mas a mentalidade repressora e vingativa que caracteriza a sociedade contemporânea não distingue pequenos ou graves delitos, graus de imputabilidade ou o impacto das punições sobre o indivíduo.

    As prisões superlotadas não inibem certos grupos que, sob argumentos meramente punitivos, insistem na antecipação da maioridade penal, certamente para adicionar mais jovens aos depósitos da exclusão sócio-econômica que são os templos da restrição permanente à liberdade. A maioria absoluta da população carcerária é constituida por jovens menores de 25 anos de idade, que são alijados do mercado de trabalho e não constam das estatísticas da desocupação. Se introduzida algum dia, por alguma manobra política, a maioridade antecipada representaria, para o adolescente de classe média e superiores, o acesso ao primeiro automóvel e às perspectivas de lazer hoje restritas aos maiores ; para o jovem das classes subalternas e periféricas, a maioridade precoce aponta para as restrições de liberdade, de direitos e o contato com as agruras e complexidades dos processos judiciais.

    Há alguns dias o cartunista Glauco foi morto em sua residência, atingido por quatro disparos de revólver. Na mesma ação, seu filho de 25 anos de idade também recebeu balas mortais. Uma tragédia infelizmente rotineira nas grandes cidades, o caso adquiriu notoriedade justamente pela figura pública do notável artista e de seu reconhecido caráter crítico e diferenciado sobre o panorama social vigente.

    Para não fugir à costumeira e abominável regra vigente, polícia e imprensa, nas primeiras horas após a ocorrência, divulgaram a hipótese de que os crimes teriam sido praticados por ladrões ou sequestradores que, em respectivas tentativas malogradas, teriam realizado os lamentáveis disparos. Depois, veio ao conhecimento público a versão correta. O ato covarde e selvagem foi cometido por um jovem de classe média alta, a julgar pelo bairro em que vivia. O assassino foi, segundo indicam testemunhas e a mulher e mãe das vítimas, auxiliado por outro jovem de família de posses acima da média.

    Para escapar à acusação, o homicida se dirigiu, em veículo roubado, à fronteira do Paraguai, justamente na ponto mais célebre pelos apelos ao consumo de artigos supérfluos e ao turismo das faixas emergentes da população. Foi capturado por policiais federais na posse do carro roubado, depois de fazer vários disparos e atingir um agente. Ou seja, teve discernimento sobre a gravidade de seus atos, dispôs de tirocínio suficiente para planejar e executar a tentativa de fuga, além de providenciar a logística material para a consecução de seus objetivos. Ao contrário do que seu defensor quer pregar, nas declarações iniciais à mídia, não se trata de um indivíduo desprovido de senso de realidade e acometido por delírios e alucinações. É, ao que parece, mais um dos milhares de representantes de certas camadas consumistas da sociedade, acometidos por dúvidas existenciais geradas pela sobreposição de colégios particulares e suas metodologias duvidosas, frivolidades irresponsáveis, pais ou tutores incapazes de providenciar educação e respeito comunitário, ansiedades fúteis e todas as características que conformam, com algumas particularidades específicas, o estereotipado padrão aceitável dos jovens das parcelas mais abastadas. Milhares de indivíduos inúteis e potencialmente nocivos ao convívio amistoso, circunscritos a rodas sociais de marcado culto ao mais grotesco individualismo, atores de arruaças e gritos histéricos nas madrugadas dos bolsões da diversão inconsequente. Bárbaros aquinhoados pelas benesses das heranças e dos diplomas com emblemas respeitáveis, que nada criam ou propiciam senão o desfrute de seus mesquinhos prazeres e desejos primitivos. As drogas, para esses elementos, são canais de expressão de neuroses, não de prazer ou experiências sensoriais.

    A sociedade, neste selvagem episódio, está diante de uma perfeita oportunidade para estabelecer a justiça, com exemplar significado para aqueles que, como o covarde autor do crime, não respeitam a vida, os direitos alheios e a civilidade.  



    Escrito por nada será como antes às 20h29
    [] [envie esta mensagem] []




    A DECADÊNCIA PAULISTA

     

    O Estado de São Paulo, que ainda concentra enorme proporção da economia brasileira, é governado há quase duas décadas por um grupo político que, salvo alguns poucos setores de atividade, patrocinou inequívoca decomposição da outrora pujante capacidade empreendedora existente. A província paulista não era apenas a "locomotiva econômica" do país, mas também realizava inovações em vários campos, mesmo durante o período da ditadura militar, com destaque para as pesquisas científicas, a política, as artes, as expressões sociais e de comunicações.

    Bastaram quatro gestões consecutivas de uma coalizão sugestiva para que as forças políticas do Estado, em grande parte, se transformassem  em triste curral do qual não saem, sequer, mugidos. A Assembléia Legislativa, que no passado chegou a ser palco de acirrados debates e grandes manifestações, hoje é uma espécie de 'casa dos mortos', transformada em sinistra repartição (que não é pública) relegada à burocrática  e previsível tarefa de chancelar, com implacável exclusividade, matérias de interesse do governo estadual.

    Obras governamentais, públicas apenas nas fantásticas verbas dispendidas e nas tragédias que têm provocado antes de suas inaugurações (metrô e rodoanel, por exemplo), são ansiosamente condenadas ao usufruto de grupos privados, mediante acordos que, supostamente, propiciarão a execução de prolongamentos das obras pelos mesmos grupos. Não haverá surpresa se, no futuro de médio prazo, tais grupos vierem a questionar judicialmente os contratos de exploração (em todos os sentidos) dos serviços, em busca da manutenção dos benefícios e isenção das obrigações.

    As chuvas democráticas dos últimos meses, que atingiram vastas porções do estado, provocaram atitudes disparatadas do governo e, principalmente, da esperada integração administrativa com os municípios e áreas metropolitanas. A zona leste da cidade de São Paulo, talvez mais duramente castigada devido à alta concentração populacional, continua à mercê das intempéries e do quase absoluto descaso governamental. Ironicamente, uma pequena cidade do interior (São Luis de Paraitinga), cuja notoriedade histórica descende do fato de ter sido entroncamento de interesse dos extintos "barões do café" e estar localizada num dos tradicionais bolsões do mais primitivo conservadorismo, recebeu prontamente, logo após as chuvas terem arruinado dezenas de suas taperas, promessas de verbas e formação de 'grupos de trabalho' que é, em casos semelhantes, a expressão que designa o conjunto de palpiteiros, pretensos estudiosos e oportunistas à caça de verbas de pesquisas e projetos supérfluos. Não há argumento capaz de justificar a prioridade dada à 'recuperação' de pretensas construções históricas enquanto milhares de crianças e trabalhadores convivem, nas várzeas do rio Tietê e a poucos quilômetros da praça da Sé, com o caos das águas paradas, córregos imundos, precárias moradias destruidas e gravíssimos focos de doenças.

    O esgotamento dessa peculiar modalidade de administração governamental, no entanto, está sinalizado. Nesta semana, na mencionada zona leste da cidade de São Paulo, moradores extenuados sairam às ruas e, espontaneamente, interditaram avenidas e queimaram ônibus, certamente na tentativa de provocar atenção para sua calamitosa condição; a resposta governamental veio na forma de pelotões da tropa de choque e bombas de efeitos variados. Dois dias depois, em cidade interiorana tida como exemplar, passageiros de outro ônibus, revoltados com um escabroso atropelamento, também optaram pelo incêndio do coletivo e a mídia, com a atenção de sempre, fez o possivel para retardar a divulgação do fato.

    Esses casos não são isolados, como pretendem os interessados na manutenção do quadro de poder estadual. No ano de 2009, em várias cidades do estado e quadrantes das áreas metropolitanas ocorreram manifestações espontâneas de enfrentamento da deprimente e opressora 'ordem vigente'. Manifestações desse teor constituem a marca da exaustão da sociedade com os escroques que, mediante artifícios de marketing e divulgação de mentirosa capacidade de gestão, anestesiaram boa parte das iniciativas sociais e econômicas da população do estado.

    A renovação política estadual paulista é inexorável e ocorrerá, com pouquíssimas dúvidas, de modo a promover total inversão das práticas ainda em operação. As eleições deste ano constituem oportunidade interessante mas, talvez, as mudanças sejam antecipadas por fatores imprevisíveis.

     

     

     

     

     

     



    Escrito por nada será como antes às 16h30
    [] [envie esta mensagem] []




    DEMOROU, MAS ACONTECEU : CAIU UM HELICÓPTERO DE EMISSORA DE TV 

     

    Certas ocorrências são previsíveis. Trafegar em alta velocidade em automóvel com freios sofríveis ou pneus gastos; escalar montanhas sem proteção ou conhecimento de solos; construir paredes sem baldrames; lidar com explosivos sem a delicadeza necessária; comer acima das necessidades. Nesses casos, o desastre é inevitável, ainda que circunstâncias fortuitas possam eximir o incauto nas primeiras tentativas suicidas. Mas a insistência costuma trazer derrapagens gravíssimas, quedas mortais, demolições, explosões e obesidades grotescamente fatais.

    Na manhã desta quarta-feira, depois de rodopiar várias vezes a considerável altura caiu, no gramado do Jockey Club de São Paulo, um helicóptero de uma rede de TV. Por ironia, a notícia do acidente (e a morte do piloto) foi veiculada antes por outra emissora. A emissora proprietária da aeronave, provavelmente para estudar a melhor maneira de lacrimosamente informar o desastre, demorou vinte (20) minutos para anunciar sua própria tragédia. O cinegrafista que estava no vôo está, até o momento deste post, internado em estado grave.

    Várias emissoras de TV utilizam, em São Paulo, o recurso desses vôos a título de rapidez noticiosa e versatilidade de informação. O resultado, quase sempre, consiste em manobras perigosas, trajetos alucinados sobre a cidade e seus moradores, ruidos insuportáveis sobre edifícios quando os aparelhos pairam para focalizar supostas ocorrências de interesse jornalístico.

    Uma das emissoras que utilizam esse grotesco modelo jornalístico exibe, nos finais de tarde e início das noites, um patético apresentador em contato direto, por link, com o piloto da aeronave. O piloto sobrevoa a cidade à caça de sinais que possam interessar, com imagens ao vivo, para transmitir pânico e tensão aos telespectadores, certamente ingênuos ao ponto de tolerar as estúpidas narrativas sobrepostas às imagens repassadas. Uma fogueira em terreno baldio na periferia é apresentada (e ampliada) como perigoso foco de incêndio; uma viatura policial estacionada é tida como em ação contra possível roubo, quando lá está à porta de um bar para o café do policial; corpos de motociclistas feridos ou mortos, especialmente nas avenidas Marginais, são exibidos à exaustão. As imagens e locais de sobrevôo são repetidas, em lamentável sucessão de oportunismo, exibicionismo e inegável sensacionalismo, sem outro resultado senão a busca incessante de palavras, gestos e imagens trágicas para encerrar, com traços neuróticos, a jornada do cidadão em uma cidade plena de injustiças e dissabores nas atividades mais corriqueiras.

    A cidade de São Paulo, com quase onze (11) milhões de habitantes, milhões de automóveis, dezenas de milhares de altos edifícios e enorme grau de urbanização , assoberbada pela movimentação terrestre, não pode suportar, além dos excessivos vôos de carreira e aviões particulares que cortam o espaço aéreo, o permanente tráfego de mais aeronaves em vôos aleatórios a serviço de um "modelo de jornalismo" insano, ostentatório e que quase nada acrescenta em qualidade informativa à sociedade. A suposta rapidez desse tipo de jornalismo foi desmentida pela própria demora da emissora proprietária de helicóptero em veicular sua queda.

    Quase todos os chamados recursos de última geração, como redes de computação, sistemas de links e transmissão de dados e imagens têm sido acompanhados pelo paulatino empobrecimento da atividade jornalística, em irônica inversão da relação Recursos X Qualidade . Os jornais e revistas impressos funcionam, em grande parte, com o jornalismo de gabinete, em que pessoas e fatos são acompanhados por telefone e, muitas vezes, o "outro lado", a palavra de alguém denunciado por alguma versão bombástica de eventual denúncia, não é veiculada sob a alegação de que "até o fechamento da edição o senhor fulano de tal não respondeu às ligações telefônicas da redação do jornal". Emissoras de rádio e TV alternam o sensacionalismo com a mera frivolidade, intercalados com comentários que pouco diferem das antigas e ditatoriais "aulas de educação moral e cívica".

    Para completar o lastimável quadro do jornalismo atual, talvez falte apenas um ingrediente funesto : que algum profissional da área provoque ferimentos ou mortes de cidadão. A queda do helicóptero não provocou tragédia semelhante porque ocorreu sobre o gramado de um clube. Se o vôo ocorresse em outra região ............... 

        

     

     

     

     



    Escrito por nada será como antes às 15h29
    [] [envie esta mensagem] []




    PANTOMIMAS INCOMPREENDIDAS

     

    "Pareciam cenas de um filme B" é o que afirmou, segundo o Portal G1 (g1.globo.com  -  05/12/09), a atriz Martha Nowill a respeito da tentativa de roubo (e latrocínio) ocorrida no denominado 'Espaço Parlapatões', no centro de São Paulo. O infeliz saldo do delito consiste em duas pessoas feridas por tiros, das quais o diretor do grupo, Mário Bortolotto, foi internado em estado grave.

    Seria redundante dedicar este texto à chamada 'onda de violência' ou às mazelas sociais que a alimentam, porque essas questões estão certamente definidas, qualquer seja a posição, nas mentes dos cidadãos.

    Mas a lamentável ocorrência, ilustrada pela mencionada frase da atriz, o espaço teatral em que se desenrolou e o 'diálogo' travado entre as vítimas dos disparos e os atiradores trazem dados interessantes e reveladores das circunstâncias decadentes do ambiente teatral do país. É este o enfoque do presente post, que agrega fato concreto e trágico ao anterior texto "Teatro na Atualidade" publicado neste blog em 22/04/08 .

    Segundo relato publicado no Jornal 'O Estado de São Paulo" ( 06/12/09 - p C5 ), o sócio da vítima mais grave afirmou que Bortolotto e Carcará (as vítimas) teriam, com as seguintes palavras, ..."desafiado os ladrões : "Vão atirar ?"  "O que farão com esse revólver ?"

    O local em que ocorreu o delito consiste no bar anexo ao teatro do grupo que empresta seu nome ao 'Espaço Parlapatões'. O diretor teatral gravemente ferido mantém um blog na Internet ( atirenodramaturgo.zip.net ), cujo espirituoso e trágico título não esconde a qualidade sofrível dos textos, a dificuldade do autor quanto aos verbos e concordâncias e a nítida intenção de reprisar 'fluxos de consciência" primitivos e decadentes, em vaga (e pobre) imitação dos textos da geração de escritores que teve em C.Bukowski e J.Kerouac alguns de seus expoentes.

    O que se espera de um "dramaturgo e diretor teatral" ?

    A transposição do texto escrito, sua economia interna, seu sistema de comunicação, a linguagem utilizada, a natureza dos elementos não-verbais,  a composição dramática, a ênfase gestual da interpretação, a conformação cênica e a montagem realizada, dentre muitos outros aspectos exigem, do dramaturgo/diretor, domínio total e minucioso de todos os aspectos das artes cênicas. Qualquer fragilidade nesse domínio redunda em meras superposições decaídas da experiência teatral e em pastiches que nada acrescentam ao panorama cultural, que desmascaram a ausência de condições artísticas e simples intenções mercadológicas destinadas a ocupar espaços comerciais de entretenimento; a cenografia supostamente rebelde, a temática insólita e as 'montagens experimentais', em casos semelhantes, costumam servir de amparo para a pretensa superioridade intelectual que não resiste às análises mais elementares. O objetivo maior é o de enganar o receptor/espectador. 

    A Semiologia, que traz inestimáveis contribuições ao estudo do teatro, apresenta elementos essenciais à compreensão das qualidades das encenações. Se a cenografia dispõe uma arma presa à parede de alguma cena, essa arma deverá ser utilizada por um dos personagens; do contrário, será mero capricho decorativo do cenógrafo e o resultado demonstrará o amadorismo do diretor/dramaturgo. Os signos teatrais são (e precisam ser) inequívocos, exatos e racionalmente dosados. O palco não é espaço de exibicionismo, de desfile de moda, vitrine de artigos de decoração ou para demonstrações de incapacidade lítero-dramática.

    As considerações acima apontam para as contradições explícitas verificadas na triste e lamentável ocorrência policial naquele 'espaço teatral'. Se houvesse maior substância crítica e densidade cultural, tanto dos algozes como das vítimas, as frases proferidas ("Pareciam cenas de um filme B" e "O que farão com esse revólver") mereceriam ampla e produtiva reflexão sobre as realidades social e teatral.

    O ambiente teatral, na atualidade, é depósito de manifestações pseudo-artísticas, de comércios (incentivos e ingressos), de pretensões intelectuais irreais, transposições grotescas da realidade e de oportunismos. Essas contradições demonstram que o teatro está morto. 

         



    Escrito por nada será como antes às 15h36
    [] [envie esta mensagem] []




    TRISTE TRADIÇÃO

     

    A suposta "invasão" de uma área favelada da cidade do Rio de Janeiro por delinquentes de outra área motivou incursões militares das forças policiais. No decorrer das ações, um helicóptero foi atingido e, segundo declarações oficiais, por "heroismo do piloto" a aeronave pousou em campo aberto e "evitou mortes de inocentes" que seriam atingidos se a queda ocorresse sobre habitações.

    A linguagem cuidadosa das notas oficiais não consegue esconder, no entanto, a triste realidade que ronda os aglomerados habitacionais das parcelas oprimidas daquela cidade e seus infelizes moradores.

    Não é preciso ser perito em acidentes aeronáuticos para perceber que o pouso/queda de helicóptero sobre casas dispostas em áreas íngremes seria mais desastroso para seus ocupantes do que o efetivamente ocorrido no pequeno campo de futebol da comunidade. A intenção dos pilotos foi, certamente, garantir melhores condições de seu próprio salvamento do que para preservar possíveis vítimas dentre os moradores. Aliás, o helicóptero acidentado estava em ação sobre a comunidade, com as costumeiras posições de ataque e armas apontadas justamente para os transeuntes locais.

    O helicóptero abatido e as mortes de alguns de seus ocupantes, que não servem de regozijo para pessoas sensatas, aclaram as reais intenções das incursões policiais nas áreas carentes e sobre seus habitantes.

    O enterro dos policiais mortos foi transformado em solenidade para a mídia e as homenagens ressaltaram as qualidades "heróicas" dos agentes que, como outros muitos colegas, dedicam sua rotina a amedrontar trabalhadores e crianças, com armas, carros blindados, portas arrombadas e, não raro, execuções de jovens inocentes comumente apontados como "perigosos traficantes".

    As contradições são evidentes. Policiais feridos ou mortos são exaltados como heróis e moradores executados são arrastados, jogados em camburões, depositados em hospitais e contabilizados em meras cifras oficiais que apresentam os resultados fatais da "guerra do tráfico", expressão utilizada como eufemismo para designar a opressão praticada pelos contingentes a soldo do Estado. Quando surgem vítimas entre os opressores, a vingança é imediata e a tradição consiste em multiplicar, no atacado dos pobres habitantes, as baixas no varejo ocorridas entre os fardados.

    Mas a ilustração mais colorida (em todos os sentidos) das atividades fardadas veio a público nas últimas horas. No centro da cidade maravilhosa, uma viatura policial e seus fardados ocupantes (um deles capitão) foram filmados em atividades de claro conluio com ladrões que acabavam de ferir mortalmente um membro do grupo denominado Afro Reggae. Além da omissão de socorro à vítima, as imagens gravadas mostram que o produto do latrocínio foi levado à viatura e os autores do delito, dispensados. Trata-se, como é óbvio, dos crimes de associação criminosa, co-autoria em latrocínio, omissão de socorro e outros associados ao fato de os envolvidos serem agentes policiais.

    Com todos esses dados, acrescidos das claras imagens gravadas em vídeo, o culto comandante da corporação (*), em entrevista à imprensa, declarou que os fardados são "suspeitos de desvio de conduta", que é outro eufemismo do jargão opressor, desta vez utilizado para proteger os criminosos com distintivos e credenciados para o extermínio e controle das classes subalternas.

    Enquanto os problemas sociais e as carências econômicas da população forem tratados como "casos de polícia", nos mesmos moldes tradicionais da república velha, os conflitos cariocas ou de qualquer outro lugar terão continuidade.

    ________

    (*) O culto comandante da corporação afirmou, em entrevista coletiva a respeito da ocorrência com o helicóptero, desconhecer a exato calibre do "projeTÍL" (a sílaba tônica é a última), em lamentável repetição das habilidades linguísticas de autoridades (militares e civís), as quais certamente desconhecem, pela "rigorosa seleção de seus quadros", a ordem paroxítona da palavra "projÉtil".   




    Escrito por nada será como antes às 17h48
    [] [envie esta mensagem] []




    QUAL É A FICHA DO "FICHA LIMPA" ?

     

    Entidades organizadas da sociedade entregam ao Congresso Nacional as assinaturas dos cidadãos que acompanham o Projeto de Lei de iniciativa popular que pretende estabelecer novas normas para o registro de candidaturas eleitorais. O projeto, que recebeu a denominação de "Ficha Limpa", pretende impedir registros de candidatos que tenham denúncias recebidas ou condenações, ainda que em primeira instância, de delitos como homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.

    À primeira vista, a proposta é simpática e pode contar com certo entusiasmo de eleitores, especialmente dos desavisados e, sobretudo, daqueles que desconhecem os princípios elementares do Direito e da Política.

    "Denúncias recebidas", que o projeto estabelece como suficientes para o indeferimento de registros de candidaturas, são meros atos iniciais do processo penal, isto é, constituem os atos pelos quais juízes de primeira instância autorizam a autuação do processo e a consequente citação do denunciado. O recebimento da denúncia, como é óbvio, não confere culpa ou condenação ao denunciado e apenas inicia a tramitação de determinado processo. A  denúncia é formulada pelo representante do Ministério Público e encaminhada ao juizo e este, mediante o exame dos requisitos iniciais e formais, pode acatar ou negar suas pretensões.

    Condenações em primeira instância são aquelas emanadas pelo Juizo de Primeiro Grau, isto é, pelas Varas Criminais comuns, de cujas decisões cabem,  na maioria dos casos, recursos à Segunda Instância (Tribunais de Justiça estaduais) e, eventualmente, quando infringidas garantias constitucionais e/ou infraconstitucionais, outros recursos dirigidos, respectivamente, ao STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ (Superior Tribunal de Justiça). Portanto, condenações de primeiro grau não firmam culpa e, menos ainda, penas definitivas. Não é raro assistir pesadas ou apressadas condenações de primeira instância, às vezes decididas sob pressões estranhas ao âmbito judiciário,  serem totalmente reformadas nas instâncias seguintes.

    O resumido quadro acima demonstra a temeridade do impedimento de eventuais candidatos meramente denunciados ou condenados por decisões que bem podem ser provenientes de perseguições políticas. Além disso, o teor do projeto "Ficha Limpa" constitui verdadeiro atentado ao princípio constitucional da presunção de inocência, segundo o qual ninguém pode ser punido ate o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (Artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal).

    Mas este é "apenas" o ponto jurídico/constitucional. Talvez a maior dimensão do projeto esteja nos aspectos políticos que ela envolve.

    Superado o período ditatorial que acometeu o país e a maior parte da América Latina, sobrevive no Brasil, infelizmente, uma certa noção autoritária a respeito de governar. Vários governantes e políticos estaduais parecem entender que o exercício do poder deve ser realizado mediante proibições e interdições de direitos individuais. No lugar da busca de mecanismos que correspondam à melhoria das relações sociais e ampliem as liberdades públicas, esses políticos insistem em interpor regramentos e interpretações que, na realidade, caminham em sentido inverso ao sinalizado pela Constituição de 1988.

    O resultado dessa pervertida concepção política se consolida na histeria policialesca de boa parte da imprensa e de substanciais setores da sociedade. Em vez de propostas e projetos políticos, esses grupos dedicam suas forças à caça de adversários, muitas vezes com alegações inverídicas que, pelos conhecidos mecanismos de propaganda, são amplificadas e atingem objetivos eliminatórios antes que os acusados possam se defender. O resultado mais palpável dessa versão de política é a banalização das denúncias, cujo montante graneleiro elimina talentos promissores, intimida a entrada de vastos setores no processo político e transmite equivocada concepção de articulação política.

    A vertente policialesca é, certamente, a versão mais mesquinha e rasteira da ação política. Denúncias, delações e processos constituem, sob a falsa capa de defesa da cidadania, maliciosa e covarde homenagem às práticas nazistas, macartistas e stalinistas. O tom professoral e supostamente ético dos propulsores dessa modalidade de ação não consegue esconder suas pretensões hegemônicas e, talvez, não resistiria a uma simples investigação de suas ambições.

    Educação política e exercício da cidadania não prosperam em ambientes castradores. Educação é ato de liberdade que fomenta consciências e estas são depuradas pelas experiências concretas, que dispensam a intermediação arbitrária de indivíduos e grupos que, em muitos casos, nada têm a apresentar além de proibições e impedimentos.

    O fluxo da História é inexorável e os "xerifes" da atualidade serão futuramente desmascarados.    

     




    Escrito por nada será como antes às 11h04
    [] [envie esta mensagem] []




    A FARSA VERDE

    Este blog tem por método de análise política a impessoalidade, isto é, as personalidades e agentes políticos são encarados apenas como portadores provisórios de posições, grupos e forças políticas da sociedade e, claro, alguns representam meras contabilidades conjunturais dos processos eleitorais, sem expressão política ou representatividade da sociedade civil.

    Análises políticas devem contemplar as forças e posições em disputa na sociedade, sem espaço para a personalização política, inclusive porque atores e agentes costumam, geralmente, alternar suas posições e filiações partidárias coforme as conveniências, circunstâncias e eventuais facilidades político-eleitorais. "Análises" calcadas em nomes e posições pessoais são da lavra rasteira do jornalismo de baixa qualidade, que não agrega conhecimento, não avança a consciência política e busca transformar, perante os incautos, a formalidade em conteúdo palatável e supostamente profundo.

    Mas em algumas ocasiões a personalização é inevitável, especialmente quando alguma articulação é posta no cenário político em torno de um agente específico. É o caso do anunciado e provável lançamento da candidatura da senadora Marina Silva (Sem Partido/AC) à Presidência da República, supostamente mediante sua futura filiação ao Partido Verde.
    A senadora em questão, cuja trajetória pessoal é, sem dúvida, exemplo de coragem, persistência e enorme esforço para superar as adversidades da pobreza e ignorância, acumulou respeitabilidade e constitui referência obrigatória nos debates sobre meio-ambiente e, também, sobre a superação das desigualdades sociais impostas às parcelas majoritárias da sociedade.
    Parece suficientemente claro que tal candidatura tem o propósito de confundir e talvez desorganizar parte do contingente eleitoral, principalmente se levado em conta o histórico recente do Partido Verde, com sua trajetória oscilante e meramente carreirista. Esse partido apresenta, em seu programa, vagos e propositalmente tênues propósitos sociais, recobertos por discursos dirigidos à suposta busca de sustentabilidades ambiental do desenvolvimento econômico sem, no entanto, apresentar o ferramental e o método conveniente para atingir esses objetivos.
    Não é exagero afirmar que o Partido Verde nacional, como seus congêneres e homônimos em outros países, é instrumento mercadológico gerado para ocupar determinados nichos do "mercado eleitoral", constituidos pelas parcelas de eleitores insatisfeitos com o panorama político vigente em boa parte das chamadas democracias contemporâneas e pelos alijados do espectro político ideologicamente definido. Afinal, qual é o teor social de tais partidos ?  Quais estratos sociais conformam seus filiados e militantes ? E, principalmente, quais os arcos de alianças de que participam nas diversas conjunturas políticas ?
    As respostas a essas perguntas podem confirmar o enunciado de que o(s) Partido(s) Verde(s) é (são) oscilante(s) e vaga(m) pela direita, centro e esquerda segundo conveniências e interesses muito elucidativos e credores de baixas felicitações.
    De outro lado, a senadora mencionada, apesar de sua disciplinada trajetória e exemplar carreira, pouco acrescenta às necessidades políticas e sociais do país. É conhecida sua religiosidade evangélica neo-pentecostal, sua posição contrária ao aborto em quaisquer circunstâncias, sua negativa às pesquisas com células-tronco e, recentemente, foi divulgada sua posição favorável ao "ensino" do criacionismo como suposta alternativa teórica ao evolucionismo. Ou seja, em questões cruciais e delicadas a senadora é adepta de posições opostas às  socialmente progressistas. Resta saber suas mirabolantes propostas de desenvolvimento econômico fora do extrativismo florestal e capazes de abranger as massas de trabalhadores urbanos.
    Parece óbvio que essa candidatura não conseguirá espaço amplo no decorrer do processo eleitoral, pelas fragilidades pessoal e do partido que a acolhe. Também não é difícil prever que o aparato de mídia, em grande escala, fará a promoção retumbante de tal candidatura para, a certa altura, descartar a opção em favor de outra mais palatável aos interesses em disputa. 
    É uma candidatura sem estratégia, gerada apenas como instrumento tático em apoio de outra(s).    
     

     

     



    Escrito por nada será como antes às 18h12
    [] [envie esta mensagem] []




    O IMPÉRIO, PRÓXIMO DO FIM

    Na edição de 29 de Dezembro de 2008, o The Wall Street Journal/digital network publicou matéria a respeito das previsões formuladas pelo cientista político russo Igor Panarin, importante estudioso ligado à extinta KGB e à Academia de Formação de Pessoal das Relações Exteriores de seu país e consultor do governo russo(http://online.wsj.com/article/SB123051100709638419.html).

    O estudo de Panarin, que não é recente, trata da possibilidade de os Estados Unidos da América virem a se desintegrar em vários blocos, os quais se juntariam a outros países ou áreas de influência geopolítica.

    No post "O caminho da crise", que este blog publicou em 22/09/08 (ver abaixo), o texto termina com a frase "O império está mais próximo do fim". Este blog mantém aquelas palavras e agrega outras. O fim do império não significa, obviamente, a necessidade de cisão territorial da sede imperial. O território do país imperialista não precisa ser fracionado para que suas atividades exploradoras, em todo o mundo, sejam desmobilizadas. Mas, analisadas as circunstâncias e desdobramentos da crise econômico-financeira provocada pelos USA, a previsão de Panarin, com algumas ressalvas, é racional, pertinente e, mais ainda, representa uma "saída" técnica que, talvez, permita alguma sobrevida ao decadente sistema capitalista.

    O endividamento do Estado, nos USA, atinge montante impagável sob as normas do sistema financeiro. O custo permanente de manutenção daquele Estado (burocracia, seguranças interna e externa, comunicações, agências de inteligência, bases militares, programas educacionais e assistênciais, seguros sociais, repasses e subsídios, financiamentos de programas, etc.) é colossal e anti-econômico. O "todo" é muito maior do que a soma das partes, dadas as necessidades que o poder federal impõe sobre as reais necessidades dos estados-membros da federação.

    O estudo de Igor Panarin prevê que a costa oeste dos USA (Califórnia e adjacências) se juntaria à China ou ficaria sob sua influência. Diz, também, que o Texas e arredores voltaria ao México ou restariam sob a influência deste. Os estados do norte, idem em relação ao Canadá. Os do leste (New York, Massachussets, Connecticut, etc.) se juntariam à União Europeia.

    Este blog humildemente discorda, em parte, das previsões do estudo do cientista russo. Em primeiro lugar, existem quase duas dezenas de movimentos separatistas atuantes nos estados membros dos USA. Esses movimentos contemplam desde o Alaska até New Hampshire, Vermont, Maine, Rhode Island, núcleo das 13 colônias originais, passando pela Califórnia, Texas, Porto Rico e chegam ao Hawai. Não é plausível que estados dessas magnitudes se conformem com a mera anexação, seja pelo México, Canadá ou China. Ademais, suas economias são desproporcionais aos mencionados países. Seria o mesmo que o gato engolir o leão.

    Em segundo lugar, a eventual separação não ocorre(rá)(ria) devido às meras divergências entre os estados ou entre estes e a União. O desmembramento dos USA te(rá)(ria) o caráter de truque contábil e político, destinado a aliviar a carga de endividamento, assegurar a continuidade do modelo econômico vigente e, também, permitir fôlego ao sistema capitalista, mediante nova subdivisão internacional, dotada de países com economias comparativamente equilibradas. 

    O dollar está, como moeda, prestes a ser substituido nas transações internacionais. O espólio militar dos USA terá maiores aplicabilidades e eficácia se dividido em partes economicamente sustentáveis, segundo os interesses particulares dos atuais estados-membros da federação norteamericana. A dívida pública atual da União poderá ser transformada em títulos de valores negociados internacionalmente, com previsíveis e enormes deságios. O gigantismo da economia dos USA é, atualmente, causador de impedimentos e/ou dificuldades para o desenvolvimento de outras regiões do globo, devido às questões geopolíticas envolvidas. Também importa ressaltar que a divisão dos USA não terá o papel de desfigurar, na prática, sua continuidade territorial, tal como se apresenta na atualidade.

    O atual governo dos USA demonstra fragilidades imensas frente aos desafios existentes e às críticas condições em que pode agir. O montante de verbas lançado para reativar o sistema financeiro é incapaz, por si, de reativar a economia e, ironicamente, constitui entrave à retomada da produção e do consumo, porque sobrecarrega o endividamento público, enfraquece a moeda e não reabilita a capacidade de compra dos cidadãos.

    A divisão da federação norteamericana, ao quem parece, terá caráter estratégico e fundamentos calcados em profundas razões de naturezas política e plurieconômica. Resta saber qual será a tática possível e disponível, a velocidade do processo e se o curso dos acontecimentos será controlável.

    A título de curiosidade : os USA (Estados Unidos da América) é um dos poucos remanescentes dentre os "países" sem nome próprio. Os outros são os Emirados Árabes Unidos, a África do Sul (União Sul Africana) e a República Centro-Africana. Talvez esse fato pitoresco represente indício de provisoriedade ou, pelo menos, indicação de ausência de identidade interna homogênea.

      

     



    Escrito por nada será como antes às 15h17
    [] [envie esta mensagem] []




    NÚMEROS

    Vários órgãos de mídia reportaram as festas da passagem do ano nas capitais brasileiras. Para manter o costume de desinformar, hábito conhecido nas atividades de certos veículos jornalísticos, a descrição das festividades é substituida pela divulgação dos números oferecidos pelos organizadores a respeito dos eventos. As comemorações são, então, medidas pelas toneladas de fogos de artifício, pela variedade de grupos artísticos apresentados e, principalmente, pelo suposto número de pessoas que participaram das desconfortáveis aglomerações.

    Em São Paulo, segundo os dados apresentados, a Avenida Paulista teria sido ocupada por 2.400.000 (dois milhões e quatrocentas mil) pessoas. Esse número, provavelmente gerado para justificar os transtornos urbanos causados pela montagem da estrutura, que contribui para a piora da circulação do tráfego da cidade, tem outros objetivos. Busca, pela via indireta, louvar a a capacidade organizativa, que seria capaz de congregar tamanha multidão com poucas ocorrências policiais. Também serve para ampliar a divulgação mercadológica das empresas patrocinadoras, apresentadas como donas de especial tirocínio, apto a promover evento de massa com grandeza e sucesso.

    Mas o número de participantes apregoado pelos organizadores é óbvia MENTIRA. A Avenida Paulista tem menos de três quilômetros de extensão, dos quais, 600 metros são inservíveis para aglomerações. Aproximadamente 200 metros de seu comprimento estão além da Rua da Consolação, que literalmente separa a parte final da avenida com grades de ferro e via expressa para ônibus. Outra parte é afetada, na área central da via, pelo espaço vazio decorrente da passagem inferior, que traz os veículos provenientes do complexo viário Dr.Arnaldo/Rebouças. Restam, portanto, aproximadamente 2.100 metros de extenção, contados desde o início até a esquina com a Rua Augusta. Mais um detalhe: a avenida não é reta, de modo que eventuais espectadores posicionados no início da avenida não teriam visão do palco montado na parte mais movimentada. 

    A Avenida Paulista tem aproximadamente 40 metros de largura média, entre calçadas e leito de veículos. A área total, portanto, é de aproximadamente 85.000 m² (oitenta e cinco mil metros quadrados). Desse total devem ser subtraidos os espaços ocupados por postes, bancos, floreiras, jardins e o mobiliário urbano presente naquela avenida. Concentrações compactas de indivíduos comportam, em média, 3 (três) pessoas por metro quadrado e, no caso da festa de final do ano, as imagens divulgadas mostram que o grau de compactação permitiu que as pessoas presentes, salvo as muito próximas do palco montado, tiveram espaço suficiente para circular e praticar passos de danças. Isso significa que a concentração média não ultrapassou 2 (duas) pessoas por metro quadrado e, importante ressaltar, a aglomeração ocupou pouco mais de metade da extensão da avenida.

    A contabilidade é esclarecedora. Com boa vontade e espírito festivo é imperioso afirmar que, no máximo, entre 100.000 e 150.000 pessoas participaram da festa pública. Contados os que sairam mais cedo e os que chegaram mais tarde, é possivel que um total de 200.000 pessoas circularam no local, número compatível, com ressalvas, com a capacidade das linhas de metrô e ônibus que atendem aquela região.

    Nenhuma via pública da cidade de São Paulo tem capacidade para recepcionar as milhões de pessoas anunciadas pelos organizadores da festa. E quase nenhum veículo da imprensa, a se julgar pela fidelidade canina que meramente reproduziu dados fornecidos por press-releases, é dotado de senso crítico.       



    Escrito por nada será como antes às 11h39
    [] [envie esta mensagem] []




    PAPAI NOEL E EDUCAÇÃO

    O Portal G1 anunciou, em 12/12/08, na seção "Planeta Bizarro", a demissão de uma professora de um colégio da cidade de Royton, na Inglaterra. A professora perdeu seu emprego, segundo a notícia, por ter dito aos alunos, com idades em torno de 7 anos, que "Papai Noel" não existe e que os presentes natalinos são ofertados por seus pais.

    A fala da professora teria provocado choros infantís na sala de aula e alguns alunos teriam reclamado aos pais acerca do contato inesperado com a realidade. A direção da escola, talvez sem intenção expõe, com sua decisão, a crise educacional que atinge diversos países.

    Educar é tarefa que requer seriedade, métodos adequados e muita, muita atenção. Os graus de ensino devem respeitar as aptidões da criança, apresentar noções claras de tempo/espaço, incentivar suas potencialidades e, sobretudo, difundir conhecimentos aptos a promover o desenvolvimento do intelecto.

    A escola deve ser laica. Mitos e lendas devem ser tratados rigorosamente, sem omissão dos mesmos, mas segundo sua natureza. A escola é lugar de conhecimento, não de difusão religiosa, perpetuação de preconceitos ou de tradições supostamente dignas.

    A noção de "papai noel" é relativamente nova, ocidental e apresentada como aparente elo entre religião e consumo. Mas seu caráter essencial é, de fato, o de promoção consumista. Em princípio, nem é assunto a ser tratado em sala de aula mas, ao surgir, a atitude do professor deve ser a mesma adotada pela demitida de Royton. Afinal, escolas não são filiais de agências de propaganda, não são acionistas de indústrias de brinquedos e devem preparar as crianças para o enfrentamento da realidade.

    Milhões de crianças, espalhadas pelo mundo e expostas à perversidade da mídia, não recebem a "visita do papai noel" e certamente se sentem desprezadas por não merecer nenhum presente. A exclusão social do sistema atinge seu ápice justamente no período das festas em que supostamente é promovida a fraternidade. E a educação, instrumento capaz de gerar mudanças e superação das desigualdades, continua a serviço de interesses bizarros.     

     

     

     



    Escrito por nada será como antes às 13h00
    [] [envie esta mensagem] []




    SOBRE ATEÍSMO

    Há aproximadamente três semanas, este blogueiro visitou o site  http://ateusdobrasil.com.br que, como indica a denominação, trata do ateísmo e suas discussões. O tema do site, que funciona como um blog, atrai a participação de vários comentaristas, muitos dos quais com argumentos bastante interessantes.

    Aquele blog funciona através de posts lançados por seus titulares que, geralmente, tratam de temas direta ou indiretamente relacionados às religiões. Este blogueiro lançou, então, comentário a respeito da ligação religiosa dos posts, sob o argumento, em outras palavras, de que o ateísmo é autônomo e não deve se submeter a qualquer religião, seja para sustentar debates, seja para se apresentar. O comentário prosseguiu com a afirmação de que os temas tratados seriam melhor aproveitados se tratassem de Filosofia e questões similares.

    O mencionado comentário foi replicado por outros participantes e, um deles, que também mantém um blog, replicou com interessante argumento. Disse que o ateísmo discute religiões da mesma forma que os vegetarianos discutem a alimentação carnívora e os pacifistas se opôem à guerra. Esse instigante argumento é a base do texto a seguir.

    O ser humano é um mamífero primata. Os muitos milênios que antecederam a formação das sociedades organizadas certamente assistiram aos pequenos grupos de seres humanos que viviam como nômades, na constante busca por locais mais favoráveis à coleta de vegetais e à caça. Suas atividades eram quase exclusivamente voltadas à sobrevivência e reprodução. Os perigos eram enormes e constantes ; lutar contra animais ferozes, grupos rivais na disputa pelo espaço, intempéries e doenças eram as principais atividades. Sobreviveram e se reproduziram os grupos mais adaptados às dificuldades e somente muito tempo depois de seu advento o Homo Sapiens conseguiu organizar a produção de seu próprio alimento, pela agricultura e criação de animais ; assim surgiram as concentrações de grupos maiores e diversificados de humanos, pequenas aldeias, sistemas primitivos de trocas e, naturalmente, a necessidade de articular poderes capazes de administrar conflitos e garantir a continuidade dos grupos e da sobrevivência.

    Quanto maior o número de indivíduos que compunham as nascentes estruturas sociais, maiores e mais violentos conflitos surgiam. Maiores extensões de terras sob o mesmo grupo social, maior a dificuldade para a defesa dos interesses, das plantações, do espaço enfim, da sobrevivência.

    Os pequenos grupos pré-históricos, anteriores à formação de agrupamentos sociais eram controlados, sem dúvida, pela força dos mais dotados fisicamente. Eram líderes dotados de força e tirocínio, capazes de apontar a melhor forma de sobrevivência e o caminho a seguir. Morto ou ferido o mais forte, assumia o melhor equipado para a continuidade da luta. Apesar dos dotes de racionalidade, os humanos primitivos tinham poucos estímulos para a reflexão, o planejamento e para a busca de explicações para as ocorrências à sua volta. Havia pouca diferença, em termos de hábitos, entre aqueles pequenos grupos humanos e os demais primatas, como chimpanzés e gorilas de vida selvagem. Eram onívoros, belicosos e não cultuavam divindades. O medo da extinção, dos ataques climáticos e dos demais seres vivos governava e impunha limites às atividades.

    Quando os grupos primitivos conseguiram superar a vida nômade e se agrupar em locais mais estáveis e propícios à sobrevivência, novos problemas surgiram, juntamente com a maior capacidade de reflexão e senso de organização. Para liderar a nascente sociedade, não bastava a força individual ou o senso mais aguçado. O maior número de indivíduos que compunham os agrupamentos tornava a força pessoal incapaz de controlar conflitos maiores e em extensões geográficas mais amplas. Estava criada a necessidade de um "sistema" de poder, dotado de suficiente legitimidade para angariar respaldo e força entre muitos indivíduos e, para isto ser alcançado, era preciso existir um fator de unidade e convergência, onde a força física fosse aliada à convicção de que, pelo modelo de organização adotado, a sobrevivência fosse ampliada e garantida. Nascia, assim, junto da vida mais confortável, a idéia primitiva de dominação e controle.

    Foram gerados os mitos, as lendas, os locais de circulação restrita pelos temores. Não é preciso muito esforço de raciocínio para deduzir o processo que transformou, nas várias sociedades, os fenômenos climáticos em divindades, o desconhecido em sobrenatural, os mitos em idéias e manifestações de deuses. Os medos e costumes vivenciais, repassados oralmente às sucessivas gerações se apresentaram , por experiência, como valiosos instrumentos de dominação e controle social. Nascia a idéia de dominação legitimada pela íntima associação entre líderanças e crenças, entre ordens e vontades divinas, entre a vida e a sacralidade. Esse modelo elementar, com as devidas adaptações, persistiu fortemente até a destruição das monarquias absolutistas, em séculos recentes e persiste, na atualidade, apenas residualmente. 

    A condição natural e original do Homem é ateísta. O ser humano não tem deuses originais, é onívoro e belicoso. Suas eventuais crenças religiosas são produtos gerados culturalmente. Suas opções alimentares são, igualmente, devidas às condições criadas conforme os valores, necessidades e carências dos variados grupos sociais e culturais. As atitudes violentas ou pacíficas decorrem das condições objetivas vigentes em determinadas conjunturas espaço/temporais.

    Mas é preciso esclarecer essas características naturais do ser humano. Sua belicosidade é defensiva e racional, não selvagem. Seus ataques violentos ocorrem por necessidades concretas, não por instinto destrutivo. Lutas e guerras são dirigidas pela noção de sobrevivência individual e da espécie, ou seja, existe um senso de justiça, oriundo do raciocínio. A pregação de modos pacíficos para a solução de conflitos, atitude civilizada e muito benvinda, é formulada culturalmente e válida na proporção das atitudes dos oponentes.

    Na mesma linha, o Homem é onívoro não devido à vontade de destruir e consumir outras espécies, mas por aptidão e necessidade biológica. As vertentes vegetarianas decorrem de carências ambientais ou imposições místico/religiosas, ambas culturalmente restritas. Quando uma determinada sociedade opta por habitar região carente de recursos animais, essa opção é cultural e racionalmente obtida.

    Para fechar o círculo, o ateísmo natural do ser humano não equivale à insensibilidade, à incapacidade de produzir e experimentar lirismo, à impossibilidade de respeitar os demais seres e de conhecer a si mesmo. Ao contrário, as imposições religiosas, muitas vezes, tolhem a criatividade, impõem barreiras a certos temas e conhecimentos, freiam determinados avanços e, não raro, atemorizam seguidores com ameças alegadamente divinas. Foi como ateu que o Homem criou divindades, princípios religiosos e defendeu sua espécie das dificuldades.

    Por motivos diversos mas de estruturas semelhantes, cabe aos pacifistas combater a belicosidade a qualquer custo, ainda que com graves riscos à sobrevivência. Cabe aos adeptos do vegetarianismo dar seu exemplo aos consumidores de proteinas animais, com os riscos nutricionais conhecidos.  Assim como é tarefa dos religiosos tentar converter os descrentes, ainda que sob argumentos racionalmente insustentáveis e às custas da disseminação do medo como forma de manter a dominação.

    Se ao ateísmo cabe alguma tarefa sócio-cultural, ela é filosófica e não se prende ao debate religioso. As religiões são posteriores ao ateísmo e o próprio termo "ateu" surgiu da concepção pós-religiosa. Antes do advento da idéia de deuses não havia, como é óbvio, a noção de alguém desprovido de tal crença.

    Para os desavisados, é conveniente lembrar a conhecida pergunta. O que surgiu antes ? O ovo ou a galinha ?  A resposta é : o ovo ! A primeira galinha não caiu do céu nem brotou do solo. Ela nasceu de um ovo.

    Este blog voltará ao tema.

     

    ATUALIZAÇÃO/RESPOSTA : O comentário de Ricardo C. (ver na caixa de comentários) é respondido aqui devido ao fato de que o padrão deste blog não permite respostas maiores na caixa. Por essa razão, a resposta segue abaixo.

    Ricardo,

    Ecos de Darwin e Freud ? Sem dúvida mas, também, uma pitada de Lacan.

    Quando me referi ao "homem natural" tentei apresentar o homem em sua essência, isto é, desprovido das convenções, costumes, carga histórica, mitos, atividades, hábitos enfim, das características incorporadas nos últimos milênios que, sob o nome de cultura, ocultam as condições originais de nossa classe primata. Não se trata de "nostalgia" do passado selvagem, mas de tentar compreender que a cultura, à medida que evolui, adquire "autonomia" (as aspas são importantes) e comanda a continuidade evolutiva dela própria e do homem, em interação dialética. Portanto, o "homem natural" é aquele dotado das características formais e mentais aptas a designá-lo humano, porém ainda despido da força cultural que, mais tarde, o fará ator e personagem da ópera humana.

    É claro que não me atrevo a estabelecer onde e quando esse ser se encontrou em estado puro, pois o momento é tênue, impreciso e, seguramente, foi repetido em momentos e condições diferentes, conforme as necessidades de adaptação experimentadas por diversos grupos humanos.

    Também não é possível estabelecer a ordem cronológica da formação cultural. Por definição, à medida que a linguagem adquiria maior precisão, a cultura dava mostras de sua presença. Por isso, a linguagem elástica propiciou maior capacidade de reflexão e, ambas, mais cultura e mais amplos horizontes mentais. Cada conquista humana, cada avanço propiciou, sem dúvida, maior aceleração das conquistas seguintes até que, em indeterminado mas imaginável contexto, a quantidade acumulada de conhecimentos e práticas redundou em mudança qualitativa nas relações dos então minúsculos e ainda ignorantes grupos humanos. O ser humano deixava as atitudes e condutas originais, naturais e selvagens e passava à condição de modificador do espaço e criador de condutas para sí mesmo e seus pares. Essa é a noção de "homem natural" que utilizei no texto, em contraposição à de "homem cultural".

    Sobre a suposta "descoberta" de deus pelo homem, prefiro considerá-la "invenção". Talvez seja razoável imaginar que o homem "descobriu" a possibilidade de utilizar a idéia de divindade(s) como meio disseminador de temores e, portanto, dominação. Seu comentário menciona que ..."a idéia de Deus conforta, por trazer embutida um enorme lugar para o 'desconhecido que não precisa ser discutido' ". Ou seja, é a "idéia" da divindade e não a entidade divina que teria sido descoberta.

    Quando, no final do texto, escrevi sobre a questão do ovo e da galinha, minha intenção foi a de chamar atenção para a precedência dos fatos concretos. Antes da linguagem humana articulada houve uma linguagem fracionada e primitiva, incapaz de permitir abstrações sofisticadas. Conceitos como crença, fé, poder e dominação são produtos evoluidos, o que não significa que sejam superiores.

          

     

     

     

     

     

     

      

     

     



    Escrito por nada será como antes às 16h16
    [] [envie esta mensagem] []




    DECORRÊNCIAS DA CRISE

    A velocidade dos acontecimentos financeiros fez com que, nas últimas semanas, a mídia desistisse definitivamente (parece) de abordar os reais fatores que provocaram a atual crise.

    Crises financeiras de grande magnitude costumam provocar mudanças bastante sensíveis e a atual não será exceção. Este blog antecipou, no post abaixo (22/09/08 - "O caminho da crise"), que as circunstâncias monetárias internacionais vigentes serão mudadas. Novos acordos de comércio e de compensações deverão estabelecer outra moeda-padrão de troca, em substituição ao dólar vigente desde o Acordo de Bretton Woods. Essa moeda poderá ser virtual, ou seja, criada apenas para transações internacionais e sem circulação corrente ou, hipótese mais provável, gerada a partir de índice calculado pela média de uma "cesta de moedas" de várias nacionalidades (incluida a brasileira) para funcionar como parâmetro de câmbio. Seja como for, é certo que o cenário costumeiro das finanças internacionais, em curto e médio prazos, sofrerá grandes reformas que, aliás, estão em discussão na Reunião do chamado G-20, que ocorre em São Paulo neste final de semana. A mídia, como é praxe conhecida, tentará diluir a essência dos temas discutidos e mudar de assunto.

    A estréia, em janeiro de 2009, do novo governo dos USA, é aguardada por muitos como esperança de mudanças significativas. Certamente haverá muitas mudanças, mas estas não terão a qualidade e o teor imaginados pelos ingênuos eleitores. Desmontagens de impérios são dolorosas e podem arrastar os periféricos para o caos. Internamente (na sede do império), as dificuldades da recessão econômica impõem sérios ajustes no exuberante padrão de consumo artificialmente mantido até a eclosão da catástrofe bancária. Como a economia é imune às mágicas e não funciona com discursos comoventes, a realidade será a governante e estenderá as dificuldades para os próximos anos.

    A troca de alguns bilhões de unidades da moeda norteamericana por outros bilhões da moeda brasileira, dias atrás, não foi, como querem alguns analistas, um fardo para o Tesouro daquele país. Foi, antes, o contrário, com a finalidade de acelerar a remessa de capitais necessários à irrigação do sistema financeiro daquele país. Não existe, na História, registro de transações dessa natureza realizadas por benevolência, especialmente em tempos de crise.

    DADOS CORRELATOS- A recente fusão de dois grandes bancos brasileiros trará repercussões inéditas ao mercado financeiro. Além da óbvia solidez dos ativos, a maior capacidade de financiamento propiciará, em parte, eventos inéditos na economia nacional. Estão em andamento conversações a respeito da venda de poderosas subsidiárias de empresas norteamericanas a consórcios de grupos nacionais. Há alguns dias um grande negócio na área foi abortado devido a alguns detalhes (sobre transferências tecnológicas) que emperraram as negociações que, no entanto, serão retomadas.

    AVISO AOS NAVEGANTES-  Este blog não pretende fazer profecias. A conjugação de verbos no futuro, neste post, deriva do fato de que que os dados analisados se encontram em gestação e podem, talvez, sofrer algumas alterações. Mas a essência das informações é concreta.



    Escrito por nada será como antes às 11h49
    [] [envie esta mensagem] []


    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]