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ORTOGRAFIA E CONTEÚDO
Apesar de não constar da programação de temas deste blog, um fato ocorrido ontem, no weblog de Pedro Doria, precipitou a escolha do assunto de hoje, que trata de equívocos ortográficos.
O post de ontem daquele blog trata das Farc e da perspectiva de encaminhamento de negociações com o governo colombiano, com vistas à liberação de reféns, dentre os quais se encontra Ingrid Betancourt.
O autor deste blog enviou vários comentários e, num deles, escreveu a palavra "empecilho", grafada da maneira correta. Outro frequentador daquele blog, cujo nickname não precisa ser mencionado, logo abaixo retrucou fazendo cópia e colagem do trecho onde este blogueiro escreveu referida palavra e, buscando fazer graça, acrescentou seu próprio comentário grafando a mesma palavra como "impecilho", sugerindo que este autor estivesse errado ao grafá-la com "e" inicial.
A seqüência dos comentários de ambos (este blogueiro e seu crítico) contou com inserções de outros comentaristas, os quais perceberam a impropriedade daquele gracejo, pois fora ele (o crítico) o autor do erro ortográfico. Talvez para remediar a gafe, o crítico voltou à carga, na mesma seqüência de comentários, apontando a ausência de tremas numa das palavras escritas por este blogueiro. Após troca de ironias entre os comentaristas, o post voltou a receber comentários pertinentes ao tema e este blogueiro saiu daquele site para tratar de outros compromissos.
As palavras acima não se prendem ao fato em si, mas remetem à inteligibilidade dos textos. A psicologia, a lingüística e outras especialidades tratam da escrita e da leitura como "irmãs". Tudo o que é escrito, pelo menos em potência, será lido. E a leitura depende de uma série de fatores, inclusive emocionais, dentre os quais pode constar a prévia antipatia do leitor em relação ao autor do texto. Se essa eventual antipatia existe, ela funciona como uma espécie de preconceito, capaz de rejeitar, antecipadamente, argumentos, palavras, pedidos, etc. Essa noção preconcebida pode impedir o próprio entendimento do texto e de sua estrutura, tornando difícil ou mesmo impossivel a apreensão do conteúdo.
Os sites de discussão da Internet exigem, por natureza, rapidez na inserção de comentários, fato que representa alto risco de palavras serem escritas à revelia da norma ortográfica. Isto é um problema grave ? É algo que merece muita atenção ?
A resposta mais razoável é não a ambas perguntas. Quando alguém consegue expressar argumento lógico, estruturado, ainda que com equívocos ortográficos, o principal objetivo do texto em questão, a inteligibilidade, está satisfeito e cumprido. É óbvio que a atenção à chamada norma culta não deve ser desprezada, especialmente porque é conveniente a manutenção de um padrão de escrita que permita a perpetuação da informação, do conhecimento, inclusive por leitores distantes e/ou futuros. Mas, no âmbito de sites debatedores, as estrelas dos textos são os argumentos, as posições defendidas e o conseqüente crescimento intelectual dos participantes. O apego a minúcias construtivas, como ortografia e concordância esconde, talvez, fragilidade informativa e de argumentos e ocasiona a suspensão do eixo temático, com perda de substância do debate.
Este blogueiro procura manter atenção às normas ortográficas, como fez ontem no mencionado post do blog de Pedro Doria. Não descarta, porém, a possibilidade de tê-las ignorado em outras ocasiões, que talvez não foram notadas. Mas ressalta, todavia, que prefere substância, ainda que mal grafada, ao vazio escrito corretamente.
Escrito por nada será como antes às 11h41
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ISRAEL : GUERRA ou PAZ ? PERSPECTIVAS
Falar de Israel e do respectivo conflito com a causa palestina não implica, na atualidade, fazer extenso histórico de datas, fatos e nomes de pessoas e guerras ocorridas. Qualquer pessoa medianamente informada conhece razoavelmente os antecedentes que resultaram na criação daquele país e os fatores envolvidos. Não causa surpresa a quase ninguém a afirmação de que Israel é apoiado pelos USA e que os paletinos, com ênfases distintas, são apoiados pelos países árabes. Em escala mundial, os apoios a ambos os lados são oscilantes e pontuais.
Ao longo dos últimos 60 anos, Israel foi construido como país e organizado como Estado. Foram realizados formidáveis projetos de irrigação, transportes, comunicações, geração de energia, infraestrutura de saneamento, universidades, centros tecnológicos, indústrias , centros de lazer, etc. Enormes porções do deserto ganharam habitabilidade e conforto. Isto é concreto.
No mesmo período, os palestinos sem cidadania israelense foram alijados de suas ancestrais áreas e ficaram restritos à luta contra o estabelecimento da nação israelense. Formam um contingente populacional com poucas perspectivas. Suas vidas são economicamente precárias, provisórias e sujeitas a drásticas mutações, articuladas segundo conveniências de cujas decisões não participam.
A precariedade da vida palestina inibe projetos pessoais, trava investimentos produtivos, dificulta a educação e a cultura, não cria empregos e gera ressentimentos que são transmitidos por várias gerações. Por outro lado, a luta palestina produz consciência política que, ironicamente, permite a afirmação de que a maior, senão a única "construção" palestina no período é a da idéia de criação de seu próprio Estado. Isto também é concreto.
Israel passou, especialmente nas últimas décadas, de um país em formação para um país estruturado, dotado de condições que o inserem, no mínimo, dentre os de média para alta qualidade de vida. No mesmo período, os territórios palestinos, além de separados geograficamente (Gaza e Cisjordânia), experimentam semi-estagnação econômica, dependentes de ajuda externa, além do permanente estado de apreensão social derivado do próprio conflito.
No atual quadro político , o saldo do conflito aponta para a clara supremacia israelense e a evidente derrota palestina. Não existe, no horizonte, nenhum dado que torne plausível a inversão dessa conjuntura.
Dentre as forças políticas representativas do povo palestino, as mais radicais defendem a extinção de Israel como nação judaica e Estado, com a reocupação de seu território pelos palestinos. É com base nessa opção radicalizada que esta pequena análise prossegue.
Apenas a título de hipótese, a extinção de Israel poderia ocorrer mediante duas possibilidades : guerra ou negociação.
Seguindo a hipótese, uma eventual negociação extintiva implicaria na transferência em massa da população israelense e no inventário material do país, para uma suposta indenização.
A relativamente pequena população israelense não representaria, na atualidade, grandes transtornos . Existem meios para locomoção de grandes contingentes em prazo reduzido e, certamente, não haveria grandes dificuldades para a alocação de todos, seja em território especificamente designado, seja em países estabelecidos. Não seria exagerado imaginar a possibilidade de disputa internacional para receber parcelas da população israelense, principalmente dos melhores qualificados ou dos detentores de bens e capitais.
O passo seguinte de uma hipotético acordo de desocupação seria o inventário e avaliação de todos os bens imóveis, da infraestrutura (energia, transportes, comunicações, etc.), do aparato físico-institucional, fábricas, veículos, enfim, de todas as riquezas disponíveis em Israel. Como é evidente, uma avaliação desse tipo, inédita na História, alcançaria níveis monetariamente astronômicos, absolutamente inviáveis quanto à liquidação financeira. Uma transação desse teor desequilibraria a ordem econômica mundial, dada a ausência da liquidez requerida. Ademais, não existem parâmetros de avaliação cabíveis a uma situação desse teor, inclusive porque a valoração de um bem qualquer depende, principalmente, de sua estabilidade no plano econômico, sua viabilidade multiplicadora e consequente garantia institucional. Esses fatores não estariam presentes nessa hipotética negociação.
A hipótese restante de uma desocupação israelense seria uma derrota de guerra. Derrotas parciais não implicam necessariamente em desocupação territorial. Portanto, uma derrota capaz de promover tal mudança, haveria de ser total, arrasadora, sem alternativas senão o abandono do país pela população.
Quando Israel ainda estava em processo de formação física, as duas guerras ocorridas (dos seis dias, em 1967 e do Yom Kipur, em 1973) foram inegavel e facilmente vencidas pelos israelenses. Desde então, o poderio bélico de Israel cresceu formidavelmente. Além da primorosa organização, as forças do país possuem aparato logístico e de inteligência que as colocam entre as mais avançadas do globo. Em termos materiais, incluidos os suprimentos, Israel está preparado para enfrentar qualquer guerra.
Mas o ponto principal a ser destacado em termos de enfrentamento bélico, na questão árabe/israelense, é de ordem moral. Israel, para os judeus residentes e os demais espalhados pelo mundo, representa a realização do mito da terra própria. A honra e o orgulho judaicos estão alinhados em cada parcela daquele território. Além dos enormes capitais investidos e das dificuldades de criação física do país, Israel é a consolidação do sentimento de nacionalidade judaico. Esse contexto indica que, numa eventual guerra, os israelenses estariam dispostos a utilizar forças de magnitude jamais assistidas pela humanidade, sem contar que o maior aliado do país (os USA), tem capacidade para multiplicar as forças locais, em curto espaço de tempo.
O hipotético confronto, portanto, representaria uma "guerra total", cujas primeiras e maiores vítimas seriam, justamente, os palestinos, pela condição geográfica e por representarem o fator essencial da disputa. Um conflito dessa complexidade extrapolaria a dimensão regional e traria drásticas e inimagináveis repercussões em escala mundial. Esse confronto não interessa a ninguém !
A extinção de Israel , tanto pela guerra como por negociação, na atual conjuntura política internacional, é impossivel. As propostas das forças palestinas mais radicais são inexequíveis.
A única perspectiva de solução do conflito israelense-palestino aponta para a negociação, que pressupõe o estabelecimento de normas de convívio e de relações políticas naquela tensa, exígua e inóspita região. Negociar e concluir um estatuto de convívio significa criar as bases para a liberação das forças produtivas palestinas que podem, talvez por adaptação do modelo de desenvolvimento trilhado pelos israelenses, gerar emancipação econômica a partir da autonomia política oriunda da instituição de seu próprio Estado.
Esta pequena e resumida análise não acrescenta nenhuma novidade, apenas expõe as fragilidades das propostas radicais presentes no contexto político palestino. Os fatos e dados aqui apresentados são, é óbvio, de conhecimento dos atores e instituições envolvidos na questão.
Este blog apóia a luta política de emancipação do povo palestino e considera hediondas as ações das forças israelenses que resultam em vítimas civís, além de repudiar ações clandestinas dirigidas contra civís israelenses. O estado de beligerância existente não pode atingir alvos desprotegidos e alheios ao conflito.
Escrito por nada será como antes às 17h27
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AVISO AOS NAVEGANTES
Este blog nasce por sugestões de amigos e outras de comentaristas do weblog de Pedro Doria, frequentado pelo blogueiro com o nickname "nada será como antes".
A título de experiência, os eventuais comentários serão recebidos, respondidos e, em nenhuma hipótese, descartados.
O objetivo deste blog é expor publicamente idéias, pensamentos, posições e possibilidades sobre : Política, Sociedade, Economia, História, Direito, Filosofia, Artes e outros assuntos que surgirem e a petulância do blogueiro alcançar.
Este blog repudia racismo, preconceitos de quaisquer espécies, bairrismos, autoritarismos, fascismo, exclusão social sob qualquer pretexto, agressões pessoais e todas as formas de opressão coletivas e individuais.
O blogueiro não tem religião, mas respeita a todas e seus seguidores.
Para dar humilde exemplo contra proibições inúteis, neste blog é permitido fumar e beber.Como não se trata de campanha publicitária, sem aviso de moderação.
Se você gostar da leitura, volte sempre e indique a outras pessoas. Se não gostar, por favor mantenha sigilo.
Escrito por nada será como antes às 15h06
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