nada em partes
   



BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese
Histórico
    Outros sites
    UOL - O melhor conteúdo
    BOL - E-mail grátis
    Pedro Doria
    Ágora com dazibao no meio
    Devaneios
    Eu gosto de uma coisa errada
    James Bond
    Blog do homem do plano
    de olho no fato

    Votação
    Dê uma nota para meu blog

     


    RIO DE JANEIRO: O QUE É MARAVILHOSO, AFINAL ?

    A cidade do Rio de Janeiro é maravilhosa. Músicas, filmes, cartões-postais, livros e quadros famosos louvam seus encantos de modo tão incisivo,  definitivo, que não sobra espaço sequer para pensar no assunto. É quase proibido discutir o tema dos encantos da cidade e de suas eventuais mazelas.

    Então, os conflitos e problemas que assolam a cidade são devidos, exclusivamente, à suposta inércia de seus moradores ou à incapacidade de seus políticos e administradores ?

    Essa é a questão árida e temerária que este blog passa a discutir.

    O que faz uma cidade ser chamada maravilhosa ? A resposta deve utilizar o conceito de cidade. Uma cidade consiste em aglomeração de habitantes circunscrita a um extensão contínua de habitações e construções dispostas organizadamente, de maneira a respeitar determinado traçado de arruamentos e vias interligadas. Antiga ou nova, surgida em cruzamento de caminhos ou projetada, uma cidade requer, de seu traçado e características, funcionalidade, para que permita a fluência de comunicações interna e externa, o bem-estar de seus habitantes, a produtividade de suas atividades e, fundamentalmente, a possibilidade de sua própria expansão. O termo utilizado para se referir a essa requerida versatilidade é urbanismo, cuja prática saudável, na modernidade, contempla a criação de espaços de convívio social amplos e arejados, com atenção especial à delimitação de áreas restritas a pedestres e direcionamento de padrão construtivo e de ocupação do espaço.

    O conceito de cidade, portanto, é voltado para a ação humana, ou seja, cidades não constituem obras da natureza, não surgem em decorrência de movimentos tectônicos e não crescem regadas pelas chuvas.

    Em que consiste, então, a maravilhosa cidade do Rio de Janeiro ?

    Vejamos o traçado urbanístico da cidade, especialmente na faixa a beira-mar, desde as imediações do Aeroporto Santos Dumont, junto ao centro, até a Barra da Tijuca. O arruamento é medíocre . Não fosse a construção do aterro, que avançou na baía centenas de metros, tirando do mar  espaço vital, a cidade teria, hoje, terríveis dificuldades de trânsito, justamente na região de maior circulação e concentração populacional. O traçado original das avenidas costeiras, no Flamengo e Botafogo, é infantil e óbvio. As praias formam uma curva suave e o traçado das ruas limita-se a acompanhar essa linha natural. Copacabana, cuja atual faixa de areia e a larga avenida Atlântica também são fruto de aterro, seguem a mesma obviedade urbanística, acompanhando minuciosamente, do Leme ao Forte, a imposição do oceano. Quem conheceu Copacabana antes do aterro sabe que a  decantada princesinha do mar era uma faixa costeira mesquinha, com edifícios debruçados quase na zona de arrebentação e espaço ridículo para circulação de pedestres e banhistas, que se amontoavam em busca de um lugar ao sol, com as buzinas de veículos em eco dentro das salas e quartos dos prédios.

    Copacabana, praia e terra, é área ocupada no século XX, principalmente. Não existe, ali, a desculpa de que o traçado das ruas é herança do período antigo, que não pôde ser reurbanizado. E a forma de ocupação do bairro é deprimente. O aterro de Copa apenas ampliou o equívoco urbanístico original, com a mera ampliação da largura das calçadas e do leito carroçável. Não há praças, exceto a exígua do Lido e o paisagismo é sovina. A cor predominante dos edifícios de frente para o mar, semelhante à da areia da praia, além de monótona propicia que, nos dias quentes e ensolarados, a sensação é de uma competição com o deserto da Jordânia, à beira do Golfo de Áqaba. Por qual razão, na época da realização do aterro, não se optou pelo traçado da avenida em linha reta, por exemplo, em tangente que permitiria a criação de parques no meio e nas pontas da praia ? A resposta é que talvez (ou certamente), buscou-se contemplar, de modo equilibrado, os múltiplos interesses de proprietários dos estabelecimentos comerciais e de serviços que ali pululam, com sacrifício urbanístico.

    As demais vias terra-adentro do bairro de Copacabana, também por preguiça urbanística, são semi-circulares, com exceção das que, em forma de raio, saem dos fundos do bairro em direção à orla. As principais, Nossa Senhora de Copacabana, Barata Ribeiro e Toneleros, perseguem a curva obsessiva da Atlântica de tal modo que, nas duas últimas, não raro as calçadas seguem em zigue-zague, devido às diagonais que formam o perímetro e as divisas de cada lote/prédio. O resultado é caótico, com prejuízo à circulação de pedestres e absoluta ausência de horizonte, no miolo do bairro.

    O padrão construtivo de Copa, então, é o corolário dos equívocos. Os prédios têm, em média, dez andares, monotamente reproduzidos da beira da praia ao morro do Cantagalo. O efeito, visto de cima ou de baixo, é o de uma sucessão de muralhas fortificadas. O mundo se curva ao Brasil, pois a China tem apenas uma muralha e apenas Copacabana tem, pelo menos, cinco seqüências concêntricas !!!  Como é óbvio nesses casos, algumas vias mais estreitas recebem insolação por apenas alguns minutos ao dia. A visualização vertical, no interior do bairro, transforma a imensidão do céu em uma estreita faixa sinuosa, à qual se chega pelo desbravamento da imensidão de fios, cartazes, janelas de todos os formatos e cores competitivas. Os quarteirões são, literalmente, caixotes compactos, porque recuos frontais e laterais das construções são mera fantasia. A esmagadora maioria dos edifícios não possui garagens internas, fruto da visão estreita de seus construtores, que não imaginaram, a partir da década de 1930, a futura motorização da sociedade, cujos indícios eram claríssimos em quase todo o mundo. O resultado da falta de espaço para veículos é a invasão das calçadas, com direito a situações tragicômicas. Explico. Há algumas décadas (quiçá ainda hoje), este blogueiro chegou a estacionar veículo junto ao meio-fio, como em qualquer cidade civilizada no mundo e, em contrapartida, recebeu, colado no párabrisa, gracioso e insólito adesivo com os seguintes dizeres : "Fui multado por desrespeitar os pedestres" !!!!!! Ou seja, a peculiar norma de trânsito daquele lugar considerava nocivo o estacionamento no leito carroçável e positivo o "mar" de veículos com as quatro rodas sobre as calçadas, estes mantidos sem qualquer admoestação. Total (e brutal) inversão da lógica urbana !

    Com o presente texto, este blog dá continuidade à série sobre a cidade maravilhosa , que merecerá outros mais, na humilde tentativa de desconstruir o mito e ela própria. O conceito de cidade consiste, necessariamente, no que é criado, não no que é "dado" pela natureza. Do centro da cidade do Rio de Janeiro até o Forte de Copacabana, pelo menos, a cidade não oferece nenhuma maravilha. As maravilhas são o contorno do litoral, as linhas caprichosas e a posição dos morros, além da escolha do local onde a cidade foi fundada e desenvolvida. No lugar de cidade maravilhosa, deveria constar: cidade em localidade maravilhosa ! 

     

     

     

     



    Escrito por nada será como antes às 11h40
    [] [envie esta mensagem] []




    RIO DE JANEIRO: DENGUE DEMOCRÁTICA

    A cidade do Rio de Janeiro ainda é a maior atração turística do país. As atividades culturais, os sítios históricos, as belas praias, o estilo de vida do carioca da zona sul e as opções noturnas constituem programação vibrante e concentrada numa faixa de terra que se estende do centro da cidade até a Barra da Tijuca, passando pela Glória, Flamengo, Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon e São Conrado. Nesse caminho, de largura média de dois quilômetros, de um lado a baía da Guanabara e o mar aberto. Do outro, as formações rochosas, as matas, as trilhas saborosas, a surpreendente fotogenia da cidade vista do alto e o abrupto recortado de construções precárias, que preenchem os desvãos do relevo.

    A cidade do Rio de Janeiro é um mito para brasileiros e estrangeiros. Em qualquer estado do país, adultos e jovens têm vontade de, ao menos uma vez na vida, visitar a cidade. Aquela que foi capital da administração colonial, do império e da república permanece altiva no inconsciente nacional como simbologia viva da história e da grandeza natural e humana. Ainda no século XIX, quando as atuais metrópoles brasileiras eram acanhadas e simplórias cidades provincianas, a então capital concentrava a quase totalidade da vida política, dos acontecimentos, das novidades e das artes.

    A cidade ainda é, na maioria dos países a referência maior do Brasil. Na Europa e nos USA, a beleza da mulher brasileira é focalizada nas praias cariocas. As desigualdades do país são retratadas nos morros e favelas. A música é a bossa-nova, genuinamente zona sul. Os vôos carregados de turistas têm pouso garantido no Galeão/Tom Jobim. O samba e a ginga do carioca são a síntese do cartão-postal e a moldura do mito.

    Mas, talvez por acreditar demais na eterna mitologia da cidade, os cariocas descuidaram da tomada de posição e do enfrentamento da realidade. O Rio de Janeiro perdeu a condição de capital do país, posteriormente deixou de ser cidade/Estado da Guanabara, os desgovernos se sucederam, a perda da condição de pólo político/econômico se realizou minuciosamente. A perplexidade reinante impede que a transformação da cidade em palco de tiroteios e enfrentamentos gere mudanças capazes de superar a desolação.

    A violência na cidade, no lugar de propostas concretas e factíveis, serve de passarela para o desfile de vários exibicionistas, alguns munidos de diplomas e especialidades, outros de suposta liderança comunitária dos estratos sociais elitistas ou dos excluídos. Mutatis mutandis, o modelo das manifestações públicas é o mesmo, tanto na zona sul como na norte. Os cartazes pedindo PAZ na orla de Ipanema têm seu correspondente nas concentrações populares que apresentam a fúria e a revolta contra os inocentes e crianças atingidos por "balas perdidas", não raro provenientes de camburões com símbolos ameaçadores. Cada tiro disparado, do alto ou de baixo, por atiradores de bermudas ou fardados, aumenta a hemorragia que acomete , há muitas décadas, a cidade maravilhosa. O enfrentamento e a carnificina exaurem a musculatura da cidadania, não educam e não apresentam solução para as rachaduras sociais. A guerrilha urbana e sua irmã-gêmea, a repressão, prolongam a dolorosa rotina da manutenção de largas parcelas de excluídos dotados de vista permanente para o asfalto, a modernidade, as piscinas dos condomínios e os carros de luxo.

    Têm muita razão os estrangeiros, ao associar a cidade do Rio de Janeiro como a imagem do Brasil. Nas poucas centenas de quilômetros quadrados que congregam ricos e miseráveis, internet e lápis sem ponta, condomínios e esgotos, samba e bossa-nova, reside a maior concentração das desigualdades que, em pleno século XXI, apresenta ao mundo a arrogância das elites que não cedem nem os anéis de fantasia para mitigar as carências.

    A dengue, epidemia alarmante que é, ironicamente, democrática, ataca as periferias e a Barra da Tijuca. É uma espécie de "praga dos gafanhotos", uma peste que mata os filhos dos faraós e das gentes humildes. Apesar do mosquito transmissor ser tradicional naquela geografia, sua volúpia destrutiva atual é fruto do abandono da profilaxia cotidiana e espelha as preocupações voltadas ao egoismo, às futilidades e ao carreirimo político. É mais uma tragédia a rondar a cidade. O "mosquito caveirão" chega à zona sul e, talvez por isso, tire os cariocas da letargia no berço esplêndido.

    Não há mágica, solução milagrosa ou político salvador que afaste as desigualdades geradas em séculos de opressão. A solução dos problemas cariocas caminha junto aos excluídos do país e do continente. As maravilhas da cidade devem ser de todos os cariocas.

     



    Escrito por nada será como antes às 08h46
    [] [envie esta mensagem] []




    CENA 1

    Odete: Há, há, há, há, há, há, há........

    Clélio:  Tá rindo de que ?

    Odete: Do que?? É uma peça cômica!

    Clélio:  Mas não está acontecendo nada, o ator está parado e em silêncio...

    Odete: E dai? Os filmes mudos não têm graça?

    Clélio:  Não ri nenhuma vez no "Encouraçado Potenkim".

    Odete: Você não tem senso de humor. O ator está parado e silencioso, mas é uma peça cômica, até o silêncio é engraçado.

    Clélio:  Não achei graça nenhuma no porteiro. Se a peça fosse boa,ele estaria rindo...E ele também estava em silêncio.

    Odete: O porteiro não tem que rir, ele está trabalhando.

    Clélio:  Lá na firma, nós morremos de rir com as piadas do Jonas.

    Odete: É por isso que a firma vai mal. Vocês riem e o mundo acaba.

    Clélio:  E quem disse que a firma está mal por causa das risadas? O que falta é cliente, freguês, grana...

    Odete: Já este teatro, está lotado!

    Clélio:  Grande coisa...pfff...preços populares...

    Odete: Não importa, está lotado. E para começar, as peças populares e baratas são as mais engraçadas, pode notar.

    Clélio:  Por essa lógica, as apresentações em Bangladesh e no Haiti devem ser hilariantes...

    Odete: Aposto que sim, devem rir até desmaiar...

    Clélio:  ...de fome!!!

    Odete: Pare de ser chato e preste atenção na peça...já perdemos essa parte....

    Clélio:  Não aconteceu nada e não vi ninguém rindo.

    Odete: Claro! Você está atrapalhando...

    Clélio:  Você quer que eu trabalhe aqui, também? Meu expediente vai até às seis e já ganhei meu pão.

    Odete: Pelo seu salário é um pão bem pequeno...

    Clélio:  Mas é ganho honestamente e com as obrigações cumpridas.

    Odete: Não parece...rindo o dia inteiro?

    Clélio:  Em primeiro lugar, não rio o dia inteiro. E quem conta piadas é o Jonas, não os outros.

    Odete: Vai ver que a firma vai mal por causa dele...

    Clélio:  Fora ele, tem mais oito empregados !

    Odete: O cara é tão engraçado e só tem essa platéia mixuruca ?

    Clélio:  E dai ? É de improviso e ele não é profissional.

    Odete: Por isso a firma vai mal...falta profissionalismo...

    Clélio:  Falta profissionalismo ? Essa agora....Por acaso eu não sei o que faço ?

    Odete: Claro que sabe...principalmente beber cerveja e jogar com seus amigos...

    Clélio:  Só nos sábados e é assim que a gente se diverte...trabalho a semana inteira.

    Odete: Precisa disso para se divertir ? Não bastam as piadas do Jonas ?

    Clélio:  Não! Não bastam...e as piadas não são tão boas assim...e não é sempre que ele conta.

    Odete: Já vi tudo...esse Jonas não é de nada...

    Clélio:  Quem não é de nada é esse ator...só olha para a platéia, não diz nada e ninguém ri !!!

    Odete: Você está me deixando nervosa.

    Clélio:  Relaxe. Viemos aqui para nos divertir.

    Odete: E você não para de reclamar.

    Clélio:  Claro ! Paguei os ingressos e não vejo nada engraçado.

    Odete: Os ingressos são baratos.

    Clélio:  E dai ? Você não disse que peças baratas são mais engraçadas ?

    Odete: Mas não dá para ficar exigindo muito.

    Clélio:  Exigir muito ? Paguei o que cobraram, sem desconto...e os direitos do consumidor ?

    Odete: Direitos ??? Pagou ?? Quem deu os ingressos foi a minha mãe !!!

    Clélio:  Do jeito que ela me odeia, deve ter sido proposital...ingressos baratos !!! 

    Odete: Não reclame...a coitada ainda ficou tomando conta das crianças.

    Clélio:  Tudo isso só para estragar a minha noite...

    Odete: Silêncio...o ator está falando...

    Homem no palco :   Senhoras e Senhores, por razões técnicas, hoje não haverá espetáculo.....Na saida serão distribuidas senhas que                              darão direito à entrada em outra apresentação. Boa noite ! 

                                



    Escrito por nada será como antes às 09h54
    [] [envie esta mensagem] []


    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]