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    ECOLOGIA, DESMATAMENTO E PROJEÇÕES

    A sobrevivência do homem decorre da luta CONTRA a natureza. A simples coleta de frutos, a caça e pesca artesanais e a extração de raízes comestíveis são agressões à natureza, ainda que em pequena escala e para mero consumo individual.

    Quando a humanidade passou a produzir e estocar excedentes, há alguns milhares de anos, foi dada a largada para drásticas mudanças nas terras do planeta. A geração de excedentes de produção não é criação capitalista ; o sistema capitalista apenas criou mecanismos de gestão e consumo, para transformar os estoques de alimentos e matérias-primas em mercadorias lucrativas, através da exploração da mão-de-obra.

    Nos últimos três séculos, a agricultura do arado manual tornou-se industrial, com adubos e defensivos químicos aplicados por maquinário sofisticado, plantio e colheita mecanizados , além da especial logística de transporte e comercialização dos resultados. Terras impróprias foram (e são) tratadas para receber culturas antes inviáveis. A engenhosidade humana, através de canais de irrigação, recupera áreas desérticas, ganha espaços do mar com aterros, muda cursos hidrográficos e, assim, consegue ampliar as perspectivas de sobrevivência e ampliação da espécie.

    Historicamente, os países que conseguiram superar o atraso econômico foram, justamente, os que avançaram, antes, na agricultura. A Europa, pátria da Revolução Industrial, moldou minuciosamente seu espaço produtivo. Florestas antigas foram transformadas em território de grãos e leguminosas, rios foram as estradas iniciais de escoamento, o espaço produtivo foi delimitado em propriedades rigidamente controladas.

    China e Índia, territórios de grandes contingentes populacionais, há milhares de anos têm na agricultura intensiva a base de sustentação da população e da economia. O arroz indiano e chinês sai das mesmas planícies úmidas há séculos, com instinto apenas elementar de preservação. As técnicas modernas apenas aumentam a produtividade.

    Brasil e os demais países da África e América Latina não gozam de isenção divina ou natural. Desenvolver a agricultura, gerar energia e obter recursos minerais são operações que obrigam a modificação ambiental. É claro que as intervenções em ambientes delicados podem e devem obedecer a critérios de preservação, cientificamente apoiados e responsáveis. Afinal, a ampliação das fronteiras produtivas não é provisória ou sazonal, mas permanente. Portanto, é de máxima conveniência a aplicação de técnicas e manejo sustentável, seja quanto ao aspecto econômico como de respeito ao equilíbrio natural.

    O homem é um ser da natureza. Sua reprodução e permanência é talvez mais importante do que a do jacarandá. O mico-leão dourado deve ser preservado, mas não à custa da fome de uma só criança. Conciliar a preservação do máximo de espécies vegetais e animais é dever da humanidade, que é racional, mas não existe traço de racionalidade na luta quase religiosa de manutenção de florestas ao custo da miséria de populações desprovidas de trabalho e sustento.

    As projeções de dados, que prognosticam a destruição completa da floresta amazônica para as próximas décadas são mentirosas. Em primeiro lugar, é preciso discernir o significado de região amazônica (com florestas densas e rios caudalosos) e de "Amazônia legal". Esta última é ficção jurídica, criada com a finalidade de obtenção de subsídios e incentivos, mas não constitui continuidade florestal, pois grande parte dessa área é formada por savanas e cerrados. Por coincidência, boa parte das queimadas e ampliação da chamada fronteira agrícola abrange, exatamente, áreas não-florestais. 

    As projeções matemáticas desconsideram questões elementares da economia. Uma delas é logística : simplesmente não existe escoamento viável de madeira e eventual produção agrícola em áreas remotas; as grandes distâncias e os bloqueios naturais impedem, por mera econometria, a viabilidade econômica de transporte. A outra é de mercado : se , porventura, toda a região amazônica fosse efetivamente desmatada e ttransformada em cultivo agrícola, sua produção excederia, geometricamente, as capacidades globais de consumo e de armazenamento.

    O alarmismo das projeções e a campanha internacional contra as pretensões produtivas brasileiras, além de cínicos e hipócritas, têm endereço certeiro : obstruir a capacidade do país como mega-produtor de alimentos e, consequentemente, sua importância geopolítica.

    Extrativismo florestal pode ser praticado em escala artesanal e gerar sustento marginal, que não é desprezível para certos núcleos populacionais. Mas também é verdade que alguns outros produtos, como o látex natural, são incapazes de competir com os sintéticos. Defender a intocabilidade amazônica contraria o espírito humano, freia a expansão econômica e condena milhões à miséria e ignorância. Do outro extremo, permitir a destruição descontrolada, beneficia pequenos grupos exploradores e perpetua a dominação de trabalhadores e populações tradicionais. É preciso delimitar, com estrita racionalidade, a área necessária à organização do espaço produtivo, com equilíbrio distributivo e responsabilidade ambiental.

    A Mesopotâmia, origem do cultivo organizado, foi ocupada com muitas disputas, suor e sangue. A Amazônia sofre de problemas semelhantes, mas dispensa a histeria e o alarmismo. 



    Escrito por nada será como antes às 09h13
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