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PAPAI NOEL E EDUCAÇÃO
O Portal G1 anunciou, em 12/12/08, na seção "Planeta Bizarro", a demissão de uma professora de um colégio da cidade de Royton, na Inglaterra. A professora perdeu seu emprego, segundo a notícia, por ter dito aos alunos, com idades em torno de 7 anos, que "Papai Noel" não existe e que os presentes natalinos são ofertados por seus pais.
A fala da professora teria provocado choros infantís na sala de aula e alguns alunos teriam reclamado aos pais acerca do contato inesperado com a realidade. A direção da escola, talvez sem intenção expõe, com sua decisão, a crise educacional que atinge diversos países.
Educar é tarefa que requer seriedade, métodos adequados e muita, muita atenção. Os graus de ensino devem respeitar as aptidões da criança, apresentar noções claras de tempo/espaço, incentivar suas potencialidades e, sobretudo, difundir conhecimentos aptos a promover o desenvolvimento do intelecto.
A escola deve ser laica. Mitos e lendas devem ser tratados rigorosamente, sem omissão dos mesmos, mas segundo sua natureza. A escola é lugar de conhecimento, não de difusão religiosa, perpetuação de preconceitos ou de tradições supostamente dignas.
A noção de "papai noel" é relativamente nova, ocidental e apresentada como aparente elo entre religião e consumo. Mas seu caráter essencial é, de fato, o de promoção consumista. Em princípio, nem é assunto a ser tratado em sala de aula mas, ao surgir, a atitude do professor deve ser a mesma adotada pela demitida de Royton. Afinal, escolas não são filiais de agências de propaganda, não são acionistas de indústrias de brinquedos e devem preparar as crianças para o enfrentamento da realidade.
Milhões de crianças, espalhadas pelo mundo e expostas à perversidade da mídia, não recebem a "visita do papai noel" e certamente se sentem desprezadas por não merecer nenhum presente. A exclusão social do sistema atinge seu ápice justamente no período das festas em que supostamente é promovida a fraternidade. E a educação, instrumento capaz de gerar mudanças e superação das desigualdades, continua a serviço de interesses bizarros.
Escrito por nada será como antes às 13h00
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